A minha culpa

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Eu tentei gritar,
Tentei aclamar ao teu interior mais sossegado,
Mas tu não ouviste.
Eu chorei pela tua felicidade
Eu abri feridas para a tua salvação
Mas tu não sentiste.
Desejaste o teu caminho de um modo egoísta e arrogante
Não me deste um abraço e carinho
Choraste tudo o que tinhas de um modo ligeiro
Foste cobarde e não tiveste arrependimento, foste tu
Sem direitos foste sempre tu!
Aprendi um lição, uma lição artística
Com um drapeado sublime, cristalizado
Que reclamava a eternidade
Eu reclamei a minha,
A minha capacidade de ser eterna
Tão pura e branca
Não tarda o encontro com o meu sentimento de culpa
Mas eu culpo-te
Eu não te perdoo!

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Em transe

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Por mais que queiramos é impossível o nosso corpo não deixar rasto
O nosso corpo por mais gasto, melancólico, sorridente que esteja
Retém,
Retém o nosso submerso mais bonito
Cria parcerias com o passado
Dá-nos uma alegria inconfundível
Transmite a impassibilidade do presente
Por mais bochechudo que seja
O nosso corpo é incomensurável,
Pode libertar cada poro para o abismo,
Ou para o misterioso vazio
Achava que já não tinha essa aptidão de deixar rasto
Mas, enganei-me
Quanto menos esperava
Ali,
Ali estava eu
Deitada, em silêncio digno
Com uma imensa prontidão de ver renascer o meu terreno,
Como se recitasse a minha alma muito lentamente,
Com um semblante rígido, em transe
Voltou para mim o meu corpo mais furado!