Imagem

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Volto a acender o cigarro
Se de fumo e escuridão
Pintas-me tu
Deixo de sonhar
Se o teu silêncio perdurar
Sorrio por saber
Que teus braços,
Meus não são
Não por não me querer abraçada
Mas por medo de ser largada

Limite

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Entre o sono que não vem
Penso nas palavras que te disse
Nas que não deveria dizer
E nas que ficaram para esquecer

Entre o meu corpo embebido em êxtase
Penso no beijo que não te dei
Naquele que tanto pensei
E nunca concretizei

Entre a distância que nos separa
Penso no limite que os nossos corpos podem ter
O que nunca desejei
Mas que agora me acorda
Desde que te admirei

Foge de mim! Limita todo o espaço!
Dá-me o meu sono
Como outrora foi desejado

Fantasmas do roubo perdido

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Adormeço a cheirar a flor
Roubada pelo desejo da descoberta
Quero roubar mais
Tudo o que desejo e sinto
Toda a ilusão do tempo imóvel
Naquelas escadas
Naquele silêncio

Quero roubar muito mais
Quero roubar o que me faz arrepiar
Não na minha pele,
Mas no meu consciente
As tuas palavras
A tua sabedoria
A tua presença

Quero roubar agora
Quero ficar para um sempre
Dentro de ti,
Dentro de mim

Fecho os olhos e sonho
Com a certeza que não te vou roubar
Porque fui roubada,
Por ti

Levaste um pedaço meu.

Abrigo

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Continuo a desacreditar e
A não ser indiferente ao sentir,
Sem conseguir sentir de verdade
Sentir sem razão de sentimento
Sentimento sem vontade de sentir
Sentirei até ao dia de total sentido
Nunca sabendo quando pararei de sentir

Última flor

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Escrevo por querer
Desabafo sem saber
Acredito na transmissão
Da verdade, da insegurança
Não tenho resposta
Porquê não sei
Desejei no passado
O futuro ignoro
O presente vivo
Como se a única flor desta terra estivesse a morrer
Precisa de hidratação,
Necessita de amor
Anseia carinho
Mas,
A terra é fria,
Desnutrida de sabor e valores
Respeito é a essência,
Crueldade é desleal
A flor acaba por morrer
Deixa o maior solo desesperado por querer,
Fazer nascer
Não sei o quê
Não sei quando
Não sei porquê
Deixa apenas a tentativa de saber viver