Oh minha rede…

Apaguei,
Apaguei a história daquela rede tão sensata
Não foi por querer,
Errei
Agora quero-a de volta.

Aquela é uma rede diferente
Tem uma energia revitalizante,
Tem traços angulosos
Parece o som raivoso das ondas do mar num dia de inverno
Aquele rede é tão coesa e sensata, que não deixa escapar nenhum espírito.
Porque me deixou a mim?

Porque me deixaste escapar, oh rede diferente?

Eu não queria, eu estava tão grandiosa e tranquila
Tinha um líder interior
Estava vazia de arte ignóbil
Estava presa à pureza
À pureza do meu raciocínio,

Aquela rede deixou-me ir,
E eu não errei naquele momento.
Aquela rede depois desapareceu, fugiu ou encolheu
Ninguém sabe.
Perguntei a todos os espíritos de dia e de noite,

Para onde foi aquela rede diferente?
Tem um poder misterioso, tem orações
Transmite toda a chama deste século
Sem fé tagarela sobre paixão ou amor

Aquela rede, Oh rede minha..
Volta para mim,
Porque eu quero ter fé!

Falso dinheiro

 

Todos os filmes americanos estão cheios de glamour, suspense, intensidade e ilusão. Adoro ver um filme, seja ele comédia, romance, drama. Só há uns anos é que comecei a gostar de comédias. Antigamente só me interessava por filmes que tinham alguma história, alguma conclusão que fosse útil para o meu crescimento pessoal. Não pagava para ver comédias, achava um desperdício. Ensinaram-me a apreciar uma boa gargalhada mesmo tendo de pagar para a ter! Ensinaram-me a ver filmes de animação, a imaginar um mundo de fantasia, cheio de música e bonequinhos. E, agora penso, porque não pagar para me rir? Pagar para ter momentos de libertação de alegria. Todas as pessoas devem ser felizes, e se algumas têm que pagar para tal estado de espirito, porque não? O dinheiro é um bem, por uns adquirido, por trabalho ou herança, por outros até roubado. São míseras notas, míseras moedas que tornam o nosso mundo melhor. Tornam melhor, mas só em alguns momentos. Para mim, a vida em redor da fábrica do dinheiro é o mal de todos os males. Pode ser útil, pode ser necessário, pode ser essencial agora. Antigamente era de igual modo necessário, mas havia a palavra partilha, ajuda, nas mentes das pessoas. Hoje as crianças crescem a dizer ” o carro do meu pai é x, é melhor do que o do teu pai” em vez de crescerem a dizer ” o meu pai tem o carro x, e como é grande pode levar-nos a todos à escola”. Tão simples o pensamento. Noutro dia convivi por umas horas com uma familia rica ou aparentemente rica. Parecia feliz, com tentativas constantes de boa educação..até que o senhor com um fato da marca Hugo boss (Sic), ao mexer-se, deixa cair um pedaço de fita cola que prendia a dobra das calças..o senhor até ficou nervoso..nervoso de quê? De ter dinheiro para um Hugo boss, mas achar caro 6€ fazer a bainha das calças? Nervoso de alguém reparar? Nervoso de timidez?
O dinheiro podia fazer rir as pessoas..porque não tentar? Nem que se tenha que recomeçar tudo de novo?

Porque ainda não chegou o fim

Tudo vai estar bem no fim, se não está tudo bem é porque ainda não chegou ao fim. Ao fim de mais um episódio, ao fim de uma aventura, ao fim de um conserto de uma porta? Há tantos fins, como posso eu ter certeza de quando é o fim? Quando tudo está bem? Não..não pode, é impossível para mim dizer que está tudo bem e não espreitar para além da porta consertada.

E eu quis mais.
Empurrei a porta, uma porta restaurada com uma madeira de uma árvore certamente podre e oca, era uma porta sem nozes de raiz, uma porta escura de castanho de carvalho, mas mole e desalmada. Dei dois passos à frente e fechei a porta logo que tive oportunidade. Fiquei restringida a um espaço de pouca amplitude, inóspito, claro e feio.
Todos os recantos do meu corpo, sublime, começaram a estremecer, aumentei os meus níveis de transpiração, senti um ardor interior prolongado, quente, intenso e cortante, o meu coração começou a palpitar com tal força..sentia-o como se tivesse uma âncora esculpida, bem presa e rancorosa. Uma âncora lá dentro, dentro de todo o meu espírito. Senti tanto medo, tanta insegurança, senti uma angústia tremenda. Queria fugir, mas os meus pés estavam limitados àquele chão, não se moviam…corria pela minha pele cada vez mais suor, os meus cabelos longos e finos estavam cheios de calor e sem brilho algum…
Imaginei todos os lugares belos e cativantes no meu pensamento. Tentei puxar e puxar e puxar e descolar os meus pés daquele chão, mas não consegui nenhum movimento…o meu corpo encolheu, as minhas mãos começaram a ficar enrugadas como um tronco cheio de lascas, a âncora aparentemente esculpida no meu coração começou a desfazer-se e, pouco a pouco desapareceu, sem deixar rasto e criou o meu novo coração, um coração que parecia o respirar de um patinho acabado de nascer, tranquilo e vagoroso. O ardor marcado e outrora contumaz começou a transformar-se num óleo fino, cheio de graça e delicado ao toque. Parecia que, por minutos, o meu corpo ficou  estagnado. Comecei a ouvir um som…era um som contínuo, agradável, agudo, mas pouco definido. Apercebi-me que era o meu som…o som do óleo a libertar-se por todos os poros do meu próprio corpo. Os meus pés detidos naquele chão ficaram molhados, oleosos, mesmo ali, ali nos meus pés. Soltei todas as gargalhadas, risos, sorrisos. Gargalhadas imaginárias, altivas, de uma imensa alegria sensata, algumas talvez furtivas. Todas as que não tinha soltado nos últimos anos e senti-me bem, senti-me tão bem, tão feliz, descansada, liberta de todo o mal quente que possuía. Lembrei-me, que tudo vai estar bem no fim. E eu estou bem, será o fim? Que fim? Dos meus pés? Como era aquele chão?

Pedi ajuda à minha sombra

Queria tudo definido. Se não fosse possível tudo, pelo menos, uma pequena amostra. Queria ter sempre um conselheiro, uma sombra que me guiasse nos momentos mais difíceis, que me fechasse os olhos se eu não quisesse adormecer. Queria uma sombra, uma sombra não palpável, transparente, sem corpo… Queria uma sombra sempre ao meu lado para comandar on e off sempre que fosse necessário um conselho. O pior seria o resultado. Teria duas opções, ou teria uma relação de perfeita harmonia com a sombra ou teria um ódio persistente. A perfeita harmonia seria o meu sonho. Quantas vezes todos nós pedimos ajuda sem, de facto, a procurar? Quantas vezes achamos que somos capazes de tudo, delineamos o nosso plano mas suplicamos por uma sombra conselheira ao nosso lado?
As pessoas têm receio de pedir ajuda, porque isso é mostrar as fraquezas? Eu não concordo! Pedir ajuda é francamente importante para nos conhecermos cada vez melhor. Pedir ajuda é recorrer ao mais incansável botão precioso da felicidade. Pedir ajuda é não ficar parada à espera do acontecimento. É olhar para todos vós e sorrir. É gostar do nosso eu, mas lutar por ainda mais. É caminhar num fio de pesca sem desequilibrar. É viver, porque pedir ajuda é também ajudar.

Contínuas saudades

Tentativas constantes fazem um projecto

Sombras perseguidoras abafam os mais crentes

Risos mais altos chegam apenas ao céu infinito

Filas de trânsito chamam pela tranquilidade irreal

Comunicação arrasta pó perdido por todos os lugares

Criações belas estão preenchidas de pudor

Os meus olhos transmitem o que desejo sentir, perceber e,

os meus gritos abafados chamam por saudades incansáveis e persistentes…

Sou sã

De toda a incerteza que une as almas mais distantes, nao surge a aptidão de querer descobrir a existência mais redundante, pragmática e inconfundível como um arco íris despegado em porções ténues e ilineares. Surge a dificuldade em proceder ao incomparável amor, que outrora foi lisonjeado pelas crianças, pelos idosos e por todos aqueles que cantaram uma serenata à pessoa mais amada como a lua no seu maior esplendor.
Quis imaginar uma caixa de desejos cheia de certezas, buscas, compreensões, mas toda a pele que me une só retira do pensamento loucuras, dádivas nunca dadas, estradas sem fim e sem destino, cruzamentos laterais e inacessíveis. Ao mais topo do cume cresce uma pétala sem causa perceptível, sem amor pela luta. Questiona a todos os segundos, quais as opções, qual o rumo mais fácil ou, em pensamento qual a loucura mais louca e atroz para se afirmar que a felicidade é uma dádiva. A felicidade é um sentimento de alma que pode irritar os outros, florescer na pele um arrepio de alegria, tristezas e sorrisos em maior diâmetro. Fica a delinquência das mentes incapazes de serem sãs, o baile mais hexagonal e mais indefinido.
Aquela música que dizem ser a voz da nossa alma nao atinge o meu tímpano, por mais limpo de impurezas que esteja, o meu coração quanto menos pecados comete, mais irritado talvez se torne. Sou pura e de pureza nao escrevo, sou sã e de sanidade nao penso, sou de futuro um pouco certo, mas a ruelas e a estrelas da vida é onde pretendo chegar! Sou de amor e ódio!

A incerteza de um espelho

Eu gosto de um espelho, eu quase que idolatro um espelho! Aquele objecto no chão, na parede, na arrecadação consegue transparecer toda a realidade que o nosso corpo, a nossa imagem tenta esconder. Por mais antigo, mais áspero, mais rude que seja, com ranhuras e lascas de vidro consigo ver e imaginar toda uma vida bela, fantasiada pelos pensamentos mais subconscientes. Consigo correr através daquela parede espelhada e fugir para onde desejar, fugir ou alcançar somente o espaço, o lugar, a mais ténue das calçadas que conseguem abrigar o meu corpo, o teu corpo, o nosso corpo, ou todos os corpos!

Delicio – me a olhar para o espelho, por vezes com um sorriso inatingível noutro momento, outras vezes delicio – me com um pranto de lágrimas a percorrer a minha face! Sublinho cada pormenor que cada espelho tem. Há uns tempos vi um espelho sublime, era robusto e firme, cheio de matéria e consistência, quase que o toque era proibido, era a entrada para outra era, era um século não vivido. Senti-me feliz, senti-me liberta de todos os malefícios que o dia pode ter. Como era belo, o espelho!

Todos os humanos já amaram e odiaram um espelho.

Amaram naquele segundo, talvez mais ínfimo e, bonito das suas vidas. Conseguiram alcançar o êxtase de se olharem frente a frente, tocar nas suas próprias caras, no seu próprio corpo e sentir desejo, sentir prazer e robustez declaradamente sensual, delicada e realista!

Odiaram e partiram aquele espelho, naquele também segundo, com toda a raiva. Estavam hipnotizados e acharam que o espelho seria a razão da maldade de toda a vida, pensaram que todo o sofrimento passaria, toda a negatividade seria ultrapassada e….

…no fim, os que amaram e os que odiaram nada conseguiram declarar a não ser “este é o meu espelho, o espelho que me acompanha ao longo da vida”