Meu aconchego lisboeta

  
Choro por saber que estou a crescer

Que o olhar no espelho se encurta

Mas se nada eu mudar

Tudo ficará igual

Mesma hora, mesmo lugar, 

Mesmo sentimento!

Choro por saber que só te tocarei por mais um mês

Por ridiculizar tantas palavras para ti

Ao longo destes intensos anos.

Imóvel na sua digna palavra

Inerte e intemporal 

Um dia, disse eu

Comprar-te-ia se dinheiro fosse meu poder

Após três anos, comprar-te-ia

se estivesses para venda

E teria em meu egoísmo o que de bom fizemos para a nossa vida

Ter-te-ia sempre comigo,

Ao alcance do meu toque!

Fizeste os meus maiores sorrisos nos meus momentos de solteira 

Os meus vinte anos em total confusão e libertinagem 

Deste-me aconchego nas noites frias de Lisboa

Procuraste minha vida dentro da minha solidão

Ouviste minhas lágrimas de música, riso e tristeza profunda

Soubeste que um dia queria amar e ser amada também! 

Acho que esse dia chegou

Vou-te deixar, tendo a certeza que te deixo por amor!