Noite de verão

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Foi uma noite de verão
No silêncio mais intenso de conformidades e definições
O que existia foi apagado de todo o movimento, o meu
O que acreditava foi desiludido por humanos
Nunca quis chorar, nunca quis voltar,
Mas nunca quis desacreditar
Dias, noites, invernos, verões vividos sem causa
Risos criados de pouca espontaneidade
Mudanças realizadas com egoísmo e intolerância
Crenças jamais imaginadas
Mas que bom!
Ai, como é bom voltar a sentir-me
Delinear com magnitude cada curva, cada gesto,
Cada eu
O só eu
Foi uma noite de verão,
Clara, quente e libertadora
Expandi-me
Deixei o nunca e,
Foi numa, naquela noite de Verão!

Cruzamento

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Quando o desejo pelo meu futuro te entristece
Eu sei que é pureza,
um egoísmo inocente e, silencioso
Tento o melhor para não te desiludir
Queria ser imortal mas, não consigo
Crio performances todos os dias
Deambulo sossegadamente para o mundo
O meu momento de ser vista é agora
Não posso chorar por não ter a vida que queres
Eu luto pelo meu rumo incansável
Admito uma idiossincrasia brutal
Mas sou portadora, sempre
De mim mesma

Em redução

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Tudo se reduz a imagens
Mesmo tentando acumular a mais pormenorizada e
respeitadora sabedoria mais velha,
Tudo se reduz a imagens
São cliques mentais de uma vida próspera
Momentâneos cliques,
É uma visão penosa do Eu transformado
Há um divórcio da minha pele pela sempre
Sempre ou, quase nunca, apaixonada pessoa
Tudo se reduz a imagens
Um rosto definido, grotesco e gentil
Umas mãos caprichosas de transpiração,
Uns ombros toleráveis de histórias,
Uma voz audível no lugar mais exaltado
Tudo se reduz a imagens
Uma pressão de toque valorizável,
Sensatez,
Máscara de alegria eterna
Tudo se reduz a imagens
Imagens passageiras, com destino afunilado
Cliques mentais surgem e, surgem
Para,
Tudo se reduzir a memórias

Crença inadiável

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Tenho o mar a olhar para mim,
Transmite toda a energia
Rodeada de calor e verdes a soprar
Lembro-me do que queria,
Recordo o que é uma utopia
Cheiro todos os cantos que me deixam sorrir
Crio ambições estranhas e irreconhecíveis
Deixo-me levar pelos mais ténues e também grotescos sentimentos
Sou mulher de mim mesma
Sou incapacitada de espirito, por vezes,
Sou a lua mais valente quando a galáxia me permite
Acredito que nada acontece por acaso
Ouço as palavras como as quero sentir
Floresço se quero rir, correr
A minha força de deambular é,
A minha crença transparente
Percorro ruas e ladrilhos,
Sento-me e choro!
Se Eu,
Se Tu,
Se Nós
não sei!
Não quero saber, para já,
Por agora ou, talvez,
Para Sempre!

Roda gigante

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Era uma roda gigante
Daquelas que fazem o coração pular de ansiedade, pânico e tremor
Era feia, amarela, enorme e assimétrica
Mas rodava.
Rodava com tal força que as mãos não conseguiam aguentar a imobilidade
A transpiração começava a desencadear falta de ar
Os movimentos rítmicos, mas desorganizados aclamavam por um stop
Era proibido parar.
Os minutos contavam
O toque era continuo
As mãos escorregavam de cansaço
O coração estava oco, tranquilo e insensível
A roda continuava com garras de poder
Os gritos eram cada vez mais intensos,
Rudes, medrosos, fanáticos e mentirosos
Continuava com as mãos num balançar miudinho,
Na tentativa de não mostrar a angústia sobre aquela roda

A roda apoderava-se cada vez mais, de mim,
A roda era tão rápida
Implorei para ficar imóvel
Gritei pela destruição do vazio

A roda tornou-se numa muralha.