Homens do lixo

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São os homens do lixo
Nesta exígua rua
Percorremos o mesmo caminho
há meses.
Segundos sem conta,
olhares sem sentido
Os semáforos desencadeiam a luz
da união da minha mente
confunde a minha certeza,
desenrola os meus exilados pensamentos
São segundos,
Parecem uma eternidade de imaginação
São homens poderosos e rudes,
saltam com competência,
agarram com força
O que eu deixei fugir,
da minha consciência
Homens do lixo,
São homens de valor,
Que me libertam do meu amor

Além fronteiras

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A escrita atravessa fronteiras
Tão bom saber
Tão bom sentir
Quem serás tu?
minha incógnita omnipresente
Quem serei Eu?
sem a tua história permanente
Estou parada de movimentos voluntários
Estou presa pelo teu cordão no meu umbigo
Contigo aí
Nesse lado árabe
Vejo as estrelas a ficarem suaves
Preenchidas de sabedoria
Saboreio o teu abraço mais perfeito
Neste meu abdómen mais desfeito

Aprenda a Amar, menina!

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São 20h e não consigo captar a imagem do lado de fora da janela. Está escuro, é a única percepção que tenho. Há vultos, mas não entendo. O António teima em afirmar que desde que tomou aqueles novos comprimidos vê fantasmas. Há uns dias disse que dormiu com os parentes e, todos choravam. Claro, são ciganos, pensei eu. Porque não entendo eu que vultos são? Esta história de viver com um cigano que tem que deixar crescer a barba para ser respeitado na sociedade é diferente da história da minha irmã. O António também foi para a guerra como o meu cunhado, foi para Angola. Mas não veio com traumas. Quais traumas? É cigano minha mãe, disse eu. Quase morria de tristeza, a minha mãe. Foi um desassossego na minha familia. Nunca ninguém entendeu que quando se ama, simplesmente se ama. Não se escolhe o coração, a pessoa, a sensação.
Eu amei o António, tanto. Até ontem. Não foi dos novos comprimidos que tomou. Eu bebi chá com os meus primos que choravam, disse o meu homem há dois dias. Até ontem eu amei o meu cigano. É o mais belo, puro, encantador e cuidador homem que existe no planeta.
Eu vi a morte dele, ontem. Desapareceu. Foi com os fantasmas, mas ria-se.
Hoje, eu imagino-te aqui, António. As minhas mãos estão coladas às tuas.
Sabes António, eu nunca te disse “Amo-te”! Tenho remorsos. A minha cara fica num pranto de lágrimas quando penso que não te fui verdadeira. Sinto-te a toda a hora e o meu coração arde de dor por não te ter dito o quanto e como te amava. Sabes António, só se ama uma vez na vida e tu foste o meu escolhido, para me ver rir, chorar, desejar, odiar e para sempre Amar. Sabes António, foste o meu único amor. Amo o António. Sabe menina, eu nunca lhe disse que o amava. Aprenda comigo minha menina.

Quero-te só a ti

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Consigo
Mas não quero,
Tirar os olhos de ti
Eu quero,
Não saber toda a tua verdade,
os teus medos e receios,
as tuas conquistas e derrotas
Quero saber de ti,
Pouco
Agora,
Talvez sempre.
Há o vicio pela verdade,
insensata de se contar,
conhecedora de rompimentos

Ainda sem ligação
Sem amar de certeza.

Sê mentiroso até seres tu
Eu amar-te-ei até à mentira
Delinea cada pedaço do meu corpo,
como se fosse falso,
a tua imagem imaginária,
a tua verdade momentânea.
Não quero respostas certas,
não quero dramas,
não quero intrigas psicadélicas,
Quero-te só a ti
Agora.

Karenina

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O amor levou ao suicídio
No passado século XIX,
uma paixão vivida sem pudor,
uma infracção da lei sem limites,
um destino romântico no horizonte
Foste tu, mulher amante,
seduzida e logo morta.

Mulher amante,
Criaste a tua sepultura por acreditar,
nos vossos dois corpos entrelaçados,
novos e energéticos,
fortes para gritar,
Promessas de amor.
Com um simples olhar
agarrar o futuro,
Só para o amar

Mulher amante,
Foste enganada,
como tu fizeste ao homem que nunca te traiu
Foste humilhada,
quiseste fazer amor em vez de ser mãe
Foste trocada,
por uma mulher jovem e bela

Mulher amante,
A tua vida circulava em torno,
da tua ilusão
do teu álcool consumido
da tua pura solidão

Mulher amante,
Eu admirei-te!
Foste brava na luta do teu amor,
foste coesa com o teu coração

Mas, mulher amante,
Suicídio, mulher amante?

Eu não te admiro mais.
Não porque morreste,
mas porque não permaneceste
altiva com a tua bravura.
Foste digna de lágrimas derramadas,
que te levaram ao abismo
Criaste a tua maior fatalidade
O teu suicídio de verdade,
onde outrora foste feliz

Setas cruzadas

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São duas setas cruzadas
Mesmo diante de mim
A de baixo bem direccionada
A de cima irreconhecível

São duas setas cruzadas
No meu olhar,
são rectas e definidas de coloração
Tenho que olhar
Porque,
É uma obrigação

Não sei qual seta vou seguir
Não sei para onde vou,
Mas sei que vou sentir
O que ando a deixar fugir

Não sei do arrastar do meu cérebro,
irrigado de flocos brancos
e desfeitos
Que mancham o meu coração
inundado de tão pouco feito

A vida mantém o seu rumo,
Não quero voltar a sofrer
Por um homem que me faça correr
Neste meu pranto que vá alguém perceber

Não rio,
nem choro.
Fico impávida e quieta
Mas deixa-te ir,
Oh, coração mole
Oh, coração teimoso
Deixa a flecha furar
a tua maior promessa

Muitos amores

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Conseguiria amar muitos homens,
ao mesmo tempo
Agora,
Não te consigo amar
Não tenho respirar
para te confortar

O teu carinho é belo
A tua pele é sedosa
Mas a minha é preciosa

Deixa de me amar
Pára com o teu cheiro
neste meu corpo
mais alheio