Rochedo

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Curvada em falsidade
Molhada de utopia
Crua! Temida!

Irreal de ser tocada
Sem pertencer ao teu mundo,
Cruzei todas as planícies
Sem saber que o teu respirar é mentira
Asfixiei toda a lavanda persistente!

Não te sei sentir
Quando tua cova aparece
Tortuosa,
Sob o meu olhar

Ditoso homem

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Presa por medo
De um dia acordar contigo
Olhar tua face e ver beleza
Sorrir e voltar a adormecer
Enrolada em teu esplendor

Presa por medo
De um dia acordar contigo
Olhar tua face e suspirar
Por não saber onde estou
Querer fugir sem perceber
Se para a tua magnificência
Ou para o meu eterno sortilégio

Húbris

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Que eives teu corpo com meu cheiro. Penetrando todas as constelações que possuis, com um caminho de pedras cravadas de libertinagem, cheias de desejo de frescura, imensidão sonhadora e de bordos unidos para um sempre. Vejo tua cara. Crua e pálida, desnutrida de prazer. Sábia da descoberta daquela pélvis mais temida, por ti, no dia que antecederá à nossa plenitude. Curvaste com afã teu dorso sobre a magnífica realeza que teu pensamento conseguiu imaginar. Deixaste teu corpo suspenso no mais leve e inseguro luar. Não sabes rir. Porque é que o ano só te ensinou o silêncio? Desenhaste dois círculos. Um redondo, irreal, feliz, mole, cheio, maleável, tonto, saltitante mas bem cerrado. Um redondo, real, cruel, triste, apático, duro, frio, imóvel mas figurado. Teus fluidos penetrarão com toda a certeza que nunca abalizarás a plenitude. Mas vais. Parabéns silêncio!