Sunflowers

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Sonho-te como se ontem fosse o agora
O agora faça nascer o depois
E o depois apague o meu pensar
Porque de sonho é o mundo desejado
Com medo é o amor criado
De promessas é a vida não descoberta
Num destino meu pouco acreditado

Suspiro

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Começo a perder-te
De novo

Esqueço o contorno do teu rosto
Aquele que nunca toquei
Esqueço a pureza do teu sorriso
Como eu o filtrei
Agarro-me à tua passagem
Como se efémera fosse a vida

Choro por saber que desapareces
Vagarosamente
À minha distância

Perduro o meu sonhar
Sabendo que a loucura me faz viver
A mesma que te faz parar
Aquela loucura que te proíbe
Ter o meu corpo nas tuas pernas
Aquela loucura que emana
Teu corpo ter desejo pelo meu
Mesmo que loucura seja a última palavra
Deste meu sonho por desfazer

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De mim para ti
É igual de ti para mim

Vieste há pouco
Para mim,
Chegaste sem receio do teu mundo.
Foram horas vividas,
Imagens captadas e,
Olhares fugidos
Fomos as duas criadoras do momento,
Da partilha da felicidade,
Do sorriso transmitido.
Ensinaste que eu,
Posso ser eu!
Abraçaste sem tocar.

Partiste por breves dias,
O céu ficou triste,
O sol ficou azul
E o mar tornou-se uma saudade.
Foi o tamanho de todo este mar que atingiu o meu coração
Saudoso e melancólico,
Por não te ter aqui.

Foste e voltaste.
Fica e não vás.

São Paulo

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Vida é merda mesmo! Como posso eu escrever um poema a descrever a desgraça? Como posso eu adormecer sabendo que a metros alguém dorme na miséria, mesmo a metros de mim! Como a vida pode ser tão cheia de maldade com somente a condição de nascimento. Vida é merda, se é! Quantas pessoas não sabem o que é vida? Como posso eu procurar o melhor restaurante desta cidade e a metros de mim está um ser humano sem comida? Como posso eu estar aqui num tablet, com cigarro na mão se ele nem lençóis tem? Como posso eu não ir lá cuidar dele? Pois eu sei porquê! Porque não sei o que tem com ele. Se vida não presta, ele mata e pode morrer também, mas isso pouco significa para o coração dele. É ruim eu andar com medo na rua, com mala bem agarrada e dinheiro nas mamas. É chato para mim, pois bem! É mais chato e, chatice ele não sabe o que é. Só sabe o que é merda. Porque merda, é a vida dele! Se olharmos uns para os outros talvez fosse significante. Não sei não! Agora, sinto-me fútil, estúpida, imbecil. Não por solidariedade, nada disso sei o que é! Mas nunca tinha vivido tão próxima dele, da miséria. E Angola, já lá foi. Mas eu não via, era último piso. Aqui, bem rodeada de grades, numa casa grande, basta vir fumar um cigarro à varanda e vê-lo. Só vi seus movimentos, nunca vi sua cara. Tenho medo, tanto dele como dos seus olhos. Seriam a porta do inferno para mim. Eu, que me condeno empírica e futilmente pela ânsia de um amor. E, se vos dizer, que eles morrem, não por amor, mas sim, pela VIDA! No fim, ainda acreditam em Deus. Como podem?!