Ó vento, não me firas!

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Ó vento que te foste embora
Foste de vez ou queres voltar?
Ó vento que me deixaste
Sem te dar eu permissão

Sei que meu não és
Nem eu te quero agora

Ando sozinha a pairar no teu ar
Mas fugires de mim
Nada eu gosto
Porque fico presa dentro do meu pensar

Ó vento porque me fazes tal pergunta?
Porque me queres tornar incapaz?
Ó vento, volta aqui e deixa o teu sabor em mim
Que de nada sabe
Que de nada é
Que tudo consegue ser

Sou tonta por ti,
Por te deixar ir sem te agarrar
Sou dona de mim
Por querer salvar a minha cabeça
Pois sem ela, nada eu olho
Nada eu penso
E tudo vivo

Ó vento, culpo-te a ti
De me levares o meu viver
Sem me libertares
Deste meu nó de sofrer

Pouco sei e tudo quero
Tudo sei e nada quero
A única certeza que me deste, Ó vento
Foi que cortaste o meu sentir
Levaste contigo o meu interior
Deixaste o meu corpo para a chuva
Embriagada de dor
Ela vem, já eu a sinto!

Ó vento, sabes quem eu sou?
Sou o nada que tudo quer,
Sou a tua mágoa que me faz sofrer
Sou a incerteza de algum dia voltar a ser!

Índia canta uma promessa

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Cheirei-te em todos os recantos
Sonhei de verdade. Sem pensar.
Acordei com um sorriso
Da incerteza do sonho ser real. Um dia, real.
Sorri, bebi e esqueci.

Cheirei-te em todos os recantos
Cheirei-te sem saber quem és,
Se te queria,
Se me querias
Se era só um sonho.
Sorri, mais uma vez.

Continuo a sorrir,
até morrer contigo. No meu secreto coração.

Máscara

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Olho para ti como se hoje fosse o primeiro momento. Estás à minha frente, há anos, quando me deito.
Hoje, agora, olho-te. Com os meus mesmos olhos. Sou igual de aspecto, sou diferente de pensamento. Como nunca te consegui ver?
Tens umas fácies alongadas, um nariz esguio, uns olhos rasgados e uma boca maquiavélica. Transmites fogo, inferno e morte. Mesmo unida por cores quentes, amorosas e ardentes de vida.
Olhei-te estes anos todos e, nunca te vi.
Não entendo o porquê, mas suspeito!
O consciente!
O belo do consciente afastado do meu subconsciente! O plano linear longe do labirinto da minha cabeça. A vivacidade que desejo perto da realidade alcançada. O não desejo de ter uma casa agarrada a um mundo não meu.
Sem emoção, sem compreensão, sem pedir…aqui, estou eu! A olhar-te!
Hoje, agora, eu vejo-te.
Minha máscara!
Será que amanhã te verei?

Derretida por ti

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Acordei com atraso
Atraso no meu tempo real

Acordei antes do tempo
Tempo para o meu coração

Acordei serena
Serena da descarga de ontem

Respirei com paixão,
Adormeci abraçada
Pelos teus braços

Parei, contigo ao meu lado
Sonhei, como crês
Vivi e nunca mais fugi

Cego voar

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Sou uma borboleta

Percorro ao teu lado sem saberes
Cheiro os teus movimentos por desejo
Agarro o teu sorriso
Como se fosse o meu

Sou uma borboleta que voa sem saber
Qual o caminho a percorrer
Para te conseguir enaltecer

Sou uma borboleta em frases
Sou uma lombriga em pontinhos
Um, dois ou três
Convencida da incerteza
De te querer ver,
nem que seja só uma vez

Sono de sonhar

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Uma relação intensa e fiel com o Amor. As pestanas permanecem fechadas. Sonho.
Perguntei ao Amor, porque quereis unir pessoas?
Porque nasci
Amor, mas não és eterno? O nascimento não é eterno. Porque tens tu fé que és eterno?
Porque com a eternidade transmito toda a minha sabedoria
Mas, Amor, a sabedoria não é Amor. É desconhecimento, fertilidade e luta.
O Amor respondeu,
A luta não é persistente.
A fertilidade não é segura.
O desconhecimento é infiel.
Mas, Amor, és fiel?
Fiel até me deixares fugir.
Serei sabedoria até me deixares entrar.
Acorda.
Sorri as tuas pestanas. Eu estou aqui, sou o teu Amor!

Sinfonia concertante

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Melodias de doçura e ternura,
Naquela pauta mais próxima
Cada nota com um charme
Cada escala com um amor
São belas e sedosas, as notas!

Perdura uma harmonia do som,
Como uma ponte ligação entre nós,
Entre os nossos lábios entrelaçados
Que deixam soltar
Um som delinquente de ser ouvido,
Um amor fazível de ser vivido
Um pedaço de sol quente dentro
Do meu coração

Derramas o teu mistério,
Na minha música

Liberto o mexer do meu corpo,
Para ti, nesta sinfonia!