Dias nocturnos 

Diz-me amor que não me abandonaste

Não deixaste tua roupa caída nesta terra 

Fertilizada pelo toque carnal dos nossos corpos

Diz-me amor que as promessas sussurradas

Serão concretizadas, por ti 

Que a vida não é uma encenação 

Que a nossa pintura é medonha 

De tantos sonhos desenhados

Diz-me amor, 

Mesmo que verdade não o seja

Que me amaste naquela noite

Onde teus dedos percorreram os meus seios

Tua boca cerrada me beijou

Teu olhar penetrante me hipnotizou

A acreditar na ilusão 

De ter sido amada 

Por ti, naquela noite

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Fugir

Fugir para o mais longínquo lugar
Quando o nosso respirar faz a conversão da felicidade
Para tristeza
Fugi!
Voltei rápido
Comecei por ver imagens claras, luminosas e saltitantes
Acelerei meu andar para corrida
Corri
Queria tocar numa só imagem
Toquei
Mas nada senti. Na profundidade
As imagens eram pretas e opacas
Estavam imóveis
O meu toque converteu toda a felicidade em tristeza morta
Fugi!
Voltei
Com medo do meu toque!
Deixa-me tocar-te
Toca-me,
Toca-me agora!

Pequeno meu

  
Vamos!

Vamos os dois, pequeno meu, de mãos dadas

Saltar as pedras que constroem esta calçada 

Cuidado com as poças de água, pequeno meu

Agarra minha mão, com amor

Não te deixo cair,

Não te deixo chorar

Minha mão é a tua, pequeno meu

Será o elo de ligação ao nosso amor

Um dia, largar-te-ei

E saltarás sozinho, não as pedras da calçada 

Mas derrubarás os muros pelo mundo fora

Meu pequeno!

Agora, dá-me a mão

Mais perto 

  

Quero-te mais perto de mim

De nós!

Quero ter a tua pele ao meu lado

Sentir tuas mãos na minha face

Beijar teu cabelo

Delinear teu nariz torto com os meus dedos

Enquanto dormes!

Estou apaixonada por ti

Pelo homem que és 

Estou com o meu coração cheio de saudades tuas

Já, já com saudades!

Leva-me nas tuas mãos,

Leva-nos contigo! 

O teu cheiro está aqui, bem junto a mim

Adormeço contigo ao meu lado!

A tua próxima amante

  
Esqueces o que não chegaste a aprender
Esqueces que o passado fica no antes
Que o futuro fica no depois
E esqueces que o presente vive
Entre os dois tempos
Como queres tu, meu ser, viver o presente?
Queres que silencie todos os teus maus dizeres
Que acalme tua raiva de snobismo tencional
Sem te dizer que não estás a comunicar?
Como queres tu viver o presente, se do passado te esqueces tu?
Queres um e cheio presente com erros teus?
Enche tua arrogância com egocentrismo
Aclama pela esperança que um dia purificarás 
Tua alma carregada dos teus males
Não por mim
Não por ti
Mas pela tua próxima mulher 

A dor

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A dor

Ninguém a pede, ninguém a deseja

São anos de vida ditados para um fim

Não agendado

Não compreendido

Mesmo com amor, vontade e força

Ter fé, digo eu

Haja fé, dizem todos

De que serve a fé quando a morte é evidente ?

Ninguém pede para ter cancro

Ninguém quer ter sanidade mental e

Palpar a sua pele enrugada e seus ossos que outrora foram cobertos de músculos

Quem quer sentir o seu corpo fugir?

Não é possível sonhar com vida quando a morte se aproxima

Mesmo com fé!

Ou será melhor continuar a sonhar?

À distância 

  Por onde todo o tempo passou

Nosso único desejo era a união

Num dia carregado de cinzas

Ou numa manhã suavizada com margaridas,

Nosso tempo era longínquo 

Tua morte não era para ser minha realidade

Fechava olhos e pouco via

Mas desenhava meu pensamento e te ouvia

Com um zumbido,

em que a voz aguda, tua era

Num passado! 

Por onde todo o tempo passou 

Por onde nossas mãos se uniam

Todo tempo foi feliz!

Agora, 

O tempo apenas é tempo

E que de tempo

Nada sei eu falar!