Silêncio meu

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O último dia,
A minha última noite deste ano
Foi intensa.
Foram horas de incógnita,
horas de descoberta,
horas de desejo carnal

Primeiro uma sedução,
espontânea, contínua e directa
Um caminhar permanente de frases,
palavras e dizeres.
Durante horas,
sem toque,
sem sentir o teu corpo.
Passaram cinco horas.
Os dois a passear,
a explicar a incerteza dos minutos,
a desejar o clímax do oposto
Ai, como eu te desejei!
A cada passo meu,
A minha dor por te querer
Ter,
Agarrar,
Tornava-se cada vez mais rude,
Mais intensa,
Mas,
tu conseguias ultrapassar o meu desejo,
Com o teu, ainda maior,
Por mim.

Questões feitas,
sem resposta
Lugares vividos,
sem fotos tiradas

Durante uma hora, na tua ausência,
Criei um medo,
De ti, da tua arte, do teu prazer
Passou quando te tive,
Ou nunca te tive,
Nunca te possui
Eu fui tua
Toda tua
Senti paixão.

O teu toque foi sedoso, calmo e ardente
Os teus beijos na minha pele
deixaram a minha alma fluir.
Tu, no controlo de artista
Tu, com as tuas belas mãos

O teu sorriso pouco vi,
Escondias sempre que podias.
Timidez, vergonha?
Foste belo.
Nunca te disse
Talvez tenhas sentido
Foste o meu amante de Paris
Nesta cidade que aclamava por mim,
Por ti,
por nós,
Nós, no teu chão
perduramos o sonho.

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Arte de Paris

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Horas de bicicleta eu percorro,
Nestas ruas parisienses,
Inundadas de
vento intenso,
chuva suave e fina.
Estão preenchidas de pessoas
Todas em busca de uma história,
perdida há centenas de anos.
Pessoas de todas as idades,
Todos os géneros e olhares
Deambulam como se o amanhã fosse uma certeza
De cabeça pouco erguida tentam sorrir
Estão somente desesperadas,
Desesperadas por cruzar com o amor,
Nesta, naquela esquina.

Não me transmitem paixão, o amor
Sinto que desejam ter mais,
Mantêm os olhares extra,
Uma luxúria proibida
Uma dor de não conseguirem alcançar
A magnitude da ostentação
que esta cidade consegue transmitir.

É impossível sem ti,
aqui ao meu lado.

Em busca de inspiração
eu não estou
Em busca de compreensão
eu não quero

O sol estava radioso de gargalhadas
A bicicleta derrapou enquanto te imaginava.

L’amour

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Vou com receio de partir
As últimas palavras deste ano foram tristes,
Feriram o meu coração
Quero desculpar, quero encontrar uma razão,
Quero criar uma doença para te desculpar
Mas não estou a conseguir
Tenho medo que o meu último sentimento seja ódio,
pena e desilusão.

Vou com receio de partir
Queria que tu, que aclaras com o meu sol,
viesses comigo
Sei que não queres, preferes o cómodo, a não aventura,
Mas eu gostava que fosses feliz, nem que seja por momentos,
por dias, por minutos.

Vou com a ideia de que contigo,
do meu sangue,
seremos felizes daqui por uns meses
Mantenho a ânsia de te querer ver sorrir,
saltar e gritar de felicidade.

Vou com a certeza de uma disfunção
Mas,
Não há perfeição.
Não há verdadeiro amor que una,
o que outrora era impossível desunir.

Vou partir, vou sonhar,
Vou parar e deixar o meu encanto libertar-se
Por todos os recantos da cidade,
Pela bohème persistente das ruelas

Vou entrar e apaixonar-me sem limites e raciocínio
Vou ser livre
Mas,
Sempre com o meu coração preso ao vosso sorriso,
Ao vosso ser, de vocês os dois.

Flores da minha vida

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Um sorriso tão verdadeiro persiste na minha cara. Vejo dourados, brilhantes, luzes. Convosco, sempre ao meu lado.

Quero-vos daqui a muitos anos
Quero-vos agora
São várias as teimosias que nos desune
São vários os desacatos que nos criam distância
Mas, as minhas flores existem,
Mesmo ao meu alcance.

Quero manter os brindes, os sorrisos,
Quero subir convosco ao mais alto cume
Quero dar-vos a mão e dizer que vos amo.

São preciosas nesta vida
São dignas de amizade
São a beleza deste quotidiano.

Sei que, por momentos, andaremos separadas,
Longe por kilómetros
Mas nunca longe de coração.

Chamem-me sensível, lamechas
O que quiserem
Mas, eu quero-vos para sempre
Não acredito que algo destrua
Esta nossa amizade,
Esta nossa conexão que apareceu por acaso,
E ficou!

Gritos existem também,
Fazem parte do nosso diário
São momentos que nos intensificam.

Imagino um coração
Nós,
As cinco,
Estamos lá,
Bem apertadas e,
Repletas de brilho, luz e,
Ouro.
Quero-vos agora,
Quero-vos sempre!

Corpo frio

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Mas que nervoso que eu sinto,
Um tremor nas minhas mãos
Uma angústia por indecisão
Um correr de frio pelo meu corpo
Corpo indefeso, subtil e coerente
Tenho receio da resposta,
Da atitude, do limite
Nervosismo mais intenso que ontem,
Razão sem lógica,
Cenário como uma lareira tradicional,
Sou a lenha que vai ardendo lentamente,
Reflicto o fogo das pessoas que me rodeiam
Crio chamas incoercíveis
Irei apagar o meu corpo,
Mas não sei quando,
Onde e como.
Uma incógnita presente,
Uma sensação limitadora
Não posso rir, chorar,
Não posso gritar
Até quando persistirá este ardor,
Esta alma preenchida de frio.

Para ti

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Tu não fazes parte da minha felicidade
Tu és a minha felicidade
Tapo os ouvidos com a minha total bravura
Não quero ouvir,
Não gosto
Quero fazer parte do teu dia, dos teus movimentos,
Do teu corpo
Sem esquecer a nossa ambiguidade,
Quero enaltecer cada minuto da minha vida
Para o teu ser charmoso,
Seduzível e impetuoso
Não me peças para repetir as tuas palavras
Porque quando o fizer,
Amar-te-ei em silêncio
Abraça o meu peito,
Suspira no meu ouvido,
Permanece em sossego
Se o vazio te der mágoas
Corre em busca do teu amor
Não de mim.
Não serás a minha felicidade,
Tu farás parte da minha felicidade

Melhor amigo

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Um homem grande, forte e moreno, foi atingido pela mais drástica notícia do melhor amigo. Não falava, não sorria, não gritava como ele. Foi atingido pela velhice da vida, um panorama vivido, um rumo de todos nós, uma verdade que custa ouvir. Senti a tristeza do homem, preenchido de raiva por não o acompanhar nos últimos momentos da sua vida. Hoje, pela primeira vez, senti a tristeza do homem. Foi uma ingratidão para o homem, um destino já há muito desejado pelo melhor amigo. Os momentos mais bonitos, doces e sorridentes ficarão na memória para um sempre. Será que o homem robusto aprendeu algo? Reparou que a vida é tão curta, tão pouco delineada, que o tempo que existe é somente tempo. O amor que permanece é tempo. As lágrimas que presenciam o momento é tempo. Eu sou tempo, o homem é tempo, nós somos tempo, o melhor amigo esteve cá, neste mundo real e permanente com tempo, viveu o seu tempo. O melhor amigo foi tempo. Para quê tanto tempo homem? No final fica o desgosto, a saudade, o desejo de recuperar o não vivido! Será que o homem ficou impassível, por várias vezes, no passado? Porque não começar agora a viver o tempo? A irradiar todo o amor, o carinho, a doçura que persiste dentro do homem? O melhor amigo ensinou que o homem pode ser poderoso, dono, amigo, seguro e pai. Foi o companheiro, fiel e contínuo. Sorriu quando sentiu, gritou quando deveria. Fica a certeza de que o tempo não volta e, que o homem tem tempo para decidir como quer, num futuro, sentir a saudade! Com angústia de não estar presente?