Minha criação

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Continuo focada no teu ventre
Minutos longínquos persistem dentro de mim
Fico calma e estável quando imagino o teu rosto aqui,
Perto do meu.
Estás distante, longe por um mar
Mas as minhas veias pulsam de paixão por ti
Estou incapaz de te esquecer
Tenho uma vontade indefesa de ir,
Em busca do teu abraço
É tudo falso!
É uma fantástica sátira da minha cabeça
É um poço de amor, carinho
Que não irei alcançar
Por agora, talvez
Nunca, quem sabe
Continuo a ver-te nos meus olhos
Adormeço contigo ao lado
Sorrio para ti com a minha maior pureza
Adoro este meu amor por ti,
O meu delírio pelo teu corpo
O meu delírio pela tua alma

Deusa do amor

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Paixão é um dos ingredientes do amor
É a leveza da distância que enaltece o nosso ser
Mais profundo, sorridente e desejado.
A insegurança também perdura,
Como um balão deixado nos canais do vento
Pode nunca parar,
Pode arrebentar e criar um mar de verdade, saudade e uma sensatez louca,
Unida e não desprovida de tabus e medos
Incapaz de amar
Acreditamos que, ali mesmo, estará a carta mais desejada
Lida e chorada por nós
Imóveis como Vénus conseguimos alcançar toda a abertura do nosso corpo
Ficamos agarradas a um passado inexistente,
Partimos lágrimas com um rancor e euforia de querer mais
A insatisfação encarrega-se de crescer dentro de nós
A nossa entrada, ali, foi pensada, vivida e intensa de se ver
Mas,
Não foi para ser vivida
Foi cruel e desalmado,
Movimentos grotescos e poucos enaltecidos estavam presentes,
Ao olhar mais amoroso, puro e real
Uma mentira sem razão, um cenário de imaginação para nós
Mas, a porta ficou aberta
Parti, partimos e,
Tu atropelaste-me!
Estou cega do teu amor
Estou carente do teu sabor,
Desejo-te com toda a força como se o meu coração fosse explodir.
És belo de pensamento,
És cruel de imagem
Abraço de amizade é proibido
Quero rasgar a tua roupa
Quero atirar-te para o céu
Perdurar o teu prazer
Para no fim suspirar.

Café etílico

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Aquele café com leite
Intenso
Com um sabor ardente em demasia
Corre na minha pele como quem se queima
Vai deixando espaço livre para outro,
Golos desunidos, incapazes de parar
A querer adormecer
Intensifica o meu pensamento
Creio que ajuda a libertação do eu
Acredito que seja poderoso e inatingível
Fala como se fosse o epítome da minha vida
Corre, a cada golo
Vai descendo e subindo até onde o meu corpo deixa alcançar
Que raiva de dependência
Que ansiedade de pacificação
Será que já não sou digna de lucidez?
De coerência do meu cérebro?
Será que a minha sabedoria precisa de vós?
Meu café com leite tão caloroso,
Porque me quereis ao teu lado
Porque sois tão traiçoeiro na minha vida
Porque me deixais olhar para vós
Eu não preciso,
Transformai-vos em água benta, purificada
E,
Harmoniosa na minha carne de viver!

Folha cruzada

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Era uma folha de papel esmagada pelas galochas da mulher mais bonita da vila. A folha, esvoaçava com toda a magnitude que conseguia. Percorreu todas as esquinas da vila. Entrou na casa do inesperado menino que apanhou com carinho a folha de papel. Com toda a delicadeza de um ser, começou a esticá-la até perceber que tinha letras, palavras, frases. A mulher continuava a correr na procura incansável da sua história. O menino tinha 10anos, era novo de pensamentos, era portador da maior inocência deste planeta, era o melhor hospedeiro para a folha de papel. Com poucas capacidades foi lendo, mas sem nada perceber. Uma cama? Iluminação? pensava o menino, sem nada entender. Saiu de casa à procura do pai, para decifrar a folha de papel. Devagar deambulava pela vila, com as folhas de outono no chão, com cores melancólicas e habitantes com fácies tristes e estragadas do trabalho árduo. A mulher continuava a correr com toda a força que possuía. Estava tão exausta, estava fraca. Continuou a correr e, tropeçou num tronco caído em frente ao café central da vila. Chorou, começou a chorar como se as lágrimas fossem a sua alma. Caída no chão, gritou de medo, raiva e saudades da juventude. O menino apareceu, trazia a folha de papel embrulhada na mão. A mulher bonita olhou para o menino, secou as lágrimas e sorriu. Agradeceu a folha de papel, beijou a testa do menino e partiu. Duas vidas foram cruzadas por coincidência? De certeza que não. A folha de papel, a carta de amor para o pai do menino. Partiram os dois, para a rotina da vila. A mulher bonita, ficou perfeita.