Sê tu

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Não acredites que o teu dia será delineado como ontem planeaste. Não penses que o teu pensamento numa mesma situação será igual à outra vez. Não imagines que terás aquilo que não depende de ti. Não sonhes por algo que já sonhaste. Só sonhes se acreditares que és capaz de seres tu. Não te tornes diferente para acreditar. Não tentes correr o risco por algo que não é o teu ser. Arrisca só quando o sentires. Não esperes alcançar com alguém que te é pouco linear, difícil de percepção e incoerente. Porque a incoerência é o teu dom mais susceptível de ser mudado. Não dês boleia ao teu pensamento mais cómodo de ser vivido. Vive a tua experiência mais alucinatória e acredita que tu és capaz. Hoje, não foste. Deixa para o passado, retém o momento mais construtivo e sorri. Porque a vida te dará a maior alegria naquela rua que tu menos esperas. Usufrui da tua plena distracção e, o intenso raio toca na tua alma. Deixa arrastar a tua ligação mais profunda. Não te deixes encantar pela conversa do amigo. Deixa-te encantar por ti própria. Sê tu, sendo boa, má, só tu consegues não premeditar o teu futuro. És maior do que tudo, és o teu ser.

Libertação

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A rasgar a tua carta
Peço por mais uma frase
Declinada no teu colo
Rio da amargura de não te querer
Sonha contigo e deixa,
Ir a minha paz de saber
Que não te voltarei a ter

Homem das rifas

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Singelo arrasta-se em passos miúdos e leves. Mantém sempre a mesma linha do passeio. Expira números com uma garra de paixão de um passado existente, com um arrastar de rouquidão profunda da idade. Transporta no corpo um vestuário não pensado de forma, mas atento às cores. Escuras, clássicas e gentis. O azul e o verde.
O leve caminhar do homem continua. Sente-se à distância de várias almas.
À sua volta um mundo vive, há um rodopio de pessoas, um assincronismo persiste a um passo dos seus. Há encontros. São encontros tão definidos que os torna estranhos. Homens tão distintos de personalidade e aparência que trocam sacos de lingerie. Homem de meia idade, vestido de um modo agressivamente antiquado e compulsivo que aborda meninas na rua. As famílias não passeiam. Existem, mas o homem dos números não as vê.
São corpos entrelaçados no Rossio de Lisboa, são olhares fugazes perfeitos de traição. É a procura do amor, da ternura. É um caminhar desconsolado de viver, com a Casa da Sorte como imagem de fundo.
Como é que o homem dos números acha que vai vender rifas de Sorte, se ele não a conheceu?
É um céu em busca de todos os corpos.

Caminhar indefinido

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Neste momento continuo a caminhar. Não te persigo porque não sei onde estás, não paro porque acredito que te irei ver.
Ontem estávamos os dois aqui, neste pedaço de muro, sentados. Estava um dia bonito de sol, radioso de uma magnitude energética que nos encadeou uma comunicação de palavras belas, sensatas e amorosas. Sei que desejaste que o momento perdurasse. Que te fizesse juras de amor, laços de carinho, colasse a minha alma à tua.
Mas não consigo, porque tu não me sentes. Ou por fraqueza tua ou, por puro desconhecimento. Não avalias as minhas verdades pequenas e genuínas, não corriges os teus erros pelos meus desejos, não constróis um castelo de prazer para eu o destruir.
Ontem, enquanto estávamos sentados, não te fui fiel.
Tive uma descarga de paixão, trevas de prazer, picos de adoração, libertações do meu ser só por conseguir ver. Ver o meu infiel selvático, a minha rédea segura partida.
Continuavas a falar, sem me sentir, sem me olhar. Não conseguiste perceber que te omiti o meu ardor pelo fervor dele.
Conseguiria amar muitos corpos agora, de novo, ao mesmo tempo.
Não conseguiria amar muitos homens, agora, de novo, ao mesmo tempo.
Continuo a caminhar, na esperança de te ver. Não para te abraçar, mas para te dizer que cansei de lutar para te conseguir amar.

Arrebatador calor

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Queima a minha pele
Com todo o teu calor
Deixa que eu grite
Pelo teu amor
Arrebata o meu coração
Intenso de te querer
Conhecedor da incerteza
De te voltar a ter

Perdura enrolado nas minhas pernas,
Deixa-me mover a tua pélvis
Transpira,
Suportado pelo meu corpo
Muda de força
Não de sentimento
Fantasia as tuas palavras no meu ouvido
Arrepia as minhas costelas
Até sentir todo o teu calor
A penetrar no meu interior

Perdição

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Cruzada por ti
Palpito de desejo
Preenchida de tensão
Rumo ao teu destino

Com o teu coração
Transmites sonhos
Com as tuas mãos
Crias verdades
Encadeada pela tua criação
Vou eu,
Em busca da nossa maior perdição

O teu respirar

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Desenhei um arco-íris
Carregado de cores quentes
curvo e longo.
Desenhei um sorriso
O meu mais bonito
Exalei o teu respirar
quando prendeste o meu ar.
Fiquei perdida no meu pecado,
quando foste imaginado
de pensamentos confusos,
palavras imperceptíveis,
movimentos duvidosos
Deixei a tua imagem para o Adeus
Apaguei as sentenças que nos deram
Desenho um sorriso
O teu mais bonito
Inalo o teu respirar