Amor invertido

  
Perdi

Perdi o que nunca pensei perder

Sabendo que nunca não existe

E a existência é volátil

Mas como pode a vida mudar num dia?

Um sentimento de amizade ser confundido 

Por e com nada!

Amizade de sorrisos, de lágrimas e sinceridade

Será que não conhecemos a pessoa que tanto amamos?

Aquela que por nós tanto fez e nós fizemos

Aquela que perdura no nosso dia-a-dia há anos

Aquela que sinto falta

A tua falta

Sinto-a eu!

Aprendi a perdoar! Mas não aprendi a esquecer!

Palavras são ditas, ouvidas e não serão esquecidas!

Queria-te aqui

Onde contigo já vivi

Queria-te aqui

Mas só se comigo fores feliz.

Faltavas sem eu o saber

  

  

Que faltas me fazias

Sem eu te desejar, sem te pedir

As saudades que te tinha

De entrar sem saber onde

A cantar uns versos inventados

Cheios de ironia da actualidade 

E penetrados pelo futuro próximo!

Que falta tu me fazias

Para me olhar no espelho

Nua e sorridente para ninguém

A não ser o meu pensamento.

Tão bom saber que te tenho

Por mais vida boémia que tua seja 

Por mais criticado que venhas a ser

Não interessa! Porque

Minha satisfação

Atravessa porta e entra noutra

Que nesta, mesma aqui 

Mesmo à minha frente…

Nunca se sabe o que se pode encontrar!

Na tua ausência

  
Deitada aqui
Onde teu corpo costuma estar
Onde teu abraço eu agarro
Presa por nuvens de imaginação
Mantenho-me nesta cama

Vulgaridade para muitos
Sonhos para outros
Para mim, uma angústia!

Meu coração torna-se vazio com a tua ausência
Sem o teu sorriso ao meu lado

Com o toque dos teus dedos no meu corpo, aqui fico eu
Garantindo que os meus sonhos são reais
Crenças minhas estão a ser ouvidas
E meu coração está vazio
De não te ter fisicamente
Mas mais cheio do que algum dia consegui imaginar!

(Des)comprometida

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Chuva que me cai
Condena meu corpo de sofrimento
Apaga meu sorriso de todo o encantamento
Que minha vida pode ter

Chuva que me cai
Me prende a todo feitiço
De fácies tristes e chorosas
Neste meu mundo de existência

Toda a chuva me molha
Deixa lânguidos meus cabelos
Minhas mãos enrugadas
Minha pele encolhida
Com sombras desenhadas em mim

Deitada sobre toda a minha pessoa
Fico eu
Só!
Chuva vem, continua
Que ainda não sei o que é a cor!

Parada

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Só estou eu
Por aqui, por onde meus sentidos se cruzam
Por onde todo o turbilhão de angústia se emancipa
Por onde todos os desejos não são rezados
Os pecados são cometidos com sorriso longínquo
E toda uma história do passado é escrita para se esquecer
Por vezes sem palavras de existir
Outras, com a delinquência de uma certeza irregular e sofrida
Sofres? Mas o que faz teu coração sofrer, minha pobre alma?
– O teu não correspondido amor.

Tenebroso

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Oh dor minha
Que há muito eu não te via
Por onde andaste na minha vida?
Porque voltaste mais uma vez?

Se te temia, oh se sim!
Oh dor minha porque docemente me condenas?
Cravas meu coração de sangue derramado
De sonhos, futuro e perdição…

Oh dor minha porque me matas,
Lentamente?
Não sabes tu que eu morro contigo?
Não conheces minha angústia por ainda te sentir
Meu medo por te reencontrar no tempo
Não sabes tu que eu choro tanto ao te ver?

Diz-me logo, sou tua para sempre?
Ou vais e vens, na minha vida
Feres meu límpido olhar
Minha paixão ardente
Como uma flecha que mata um coração amante?

Consegues sentir meu coração apertado por ti,
Meu corpo flácido e inútil
Todo o amor desacreditado
Sempre que me insultas sem eu o saber?

Quando me foges para sempre?
Quando me deixas de atormentar?

Diz-me logo, queres que fique só?
Eu ficarei, já!
Diz-me logo, se teu desejo for o teu maior egoísmo
Oh dor minha!

O acordar de Vicent

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Ó silêncio que me queimas
Que da minha alegria fazes cinzas
Dos meus olhos aclamas lágrimas!

Ó silêncio…! Ó silêncio
Que te eternizas em mim

Levas minha vida sem eu a sentir
Ficando só neste anoitecer
Entretida com palavras distantes
Vivas e sentidas por um exímio
Que não eu!

Ó silêncio que foste rei
Noutros tempos,
Ó silêncio que por mais que me mates
Eu não te condeno
Serei eu, tua musa
Presa no teu pensamento
Por ti e para ti

Ó silêncio…! Ó silêncio
Deixa tua arte eternizar-se
Em mim…
Em silêncio!