Meu aconchego lisboeta

  
Choro por saber que estou a crescer

Que o olhar no espelho se encurta

Mas se nada eu mudar

Tudo ficará igual

Mesma hora, mesmo lugar, 

Mesmo sentimento!

Choro por saber que só te tocarei por mais um mês

Por ridiculizar tantas palavras para ti

Ao longo destes intensos anos.

Imóvel na sua digna palavra

Inerte e intemporal 

Um dia, disse eu

Comprar-te-ia se dinheiro fosse meu poder

Após três anos, comprar-te-ia

se estivesses para venda

E teria em meu egoísmo o que de bom fizemos para a nossa vida

Ter-te-ia sempre comigo,

Ao alcance do meu toque!

Fizeste os meus maiores sorrisos nos meus momentos de solteira 

Os meus vinte anos em total confusão e libertinagem 

Deste-me aconchego nas noites frias de Lisboa

Procuraste minha vida dentro da minha solidão

Ouviste minhas lágrimas de música, riso e tristeza profunda

Soubeste que um dia queria amar e ser amada também! 

Acho que esse dia chegou

Vou-te deixar, tendo a certeza que te deixo por amor!

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Mesmo ausente no presente

Teu sorriso aqui permanecerá

Sempre que te vejo

Na tua jaula, nesta tua pintura

Onde retratas teu olhar desamparado

Sobre aquelas crianças que tuas nunca serão 

Amor invertido

  
Perdi

Perdi o que nunca pensei perder

Sabendo que nunca não existe

E a existência é volátil

Mas como pode a vida mudar num dia?

Um sentimento de amizade ser confundido 

Por e com nada!

Amizade de sorrisos, de lágrimas e sinceridade

Será que não conhecemos a pessoa que tanto amamos?

Aquela que por nós tanto fez e nós fizemos

Aquela que perdura no nosso dia-a-dia há anos

Aquela que sinto falta

A tua falta

Sinto-a eu!

Aprendi a perdoar! Mas não aprendi a esquecer!

Palavras são ditas, ouvidas e não serão esquecidas!

Queria-te aqui

Onde contigo já vivi

Queria-te aqui

Mas só se comigo fores feliz.

Faltavas sem eu o saber

  

  

Que faltas me fazias

Sem eu te desejar, sem te pedir

As saudades que te tinha

De entrar sem saber onde

A cantar uns versos inventados

Cheios de ironia da actualidade 

E penetrados pelo futuro próximo!

Que falta tu me fazias

Para me olhar no espelho

Nua e sorridente para ninguém

A não ser o meu pensamento.

Tão bom saber que te tenho

Por mais vida boémia que tua seja 

Por mais criticado que venhas a ser

Não interessa! Porque

Minha satisfação

Atravessa porta e entra noutra

Que nesta, mesma aqui 

Mesmo à minha frente…

Nunca se sabe o que se pode encontrar!

Na tua ausência

  
Deitada aqui
Onde teu corpo costuma estar
Onde teu abraço eu agarro
Presa por nuvens de imaginação
Mantenho-me nesta cama

Vulgaridade para muitos
Sonhos para outros
Para mim, uma angústia!

Meu coração torna-se vazio com a tua ausência
Sem o teu sorriso ao meu lado

Com o toque dos teus dedos no meu corpo, aqui fico eu
Garantindo que os meus sonhos são reais
Crenças minhas estão a ser ouvidas
E meu coração está vazio
De não te ter fisicamente
Mas mais cheio do que algum dia consegui imaginar!

(Des)comprometida

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Chuva que me cai
Condena meu corpo de sofrimento
Apaga meu sorriso de todo o encantamento
Que minha vida pode ter

Chuva que me cai
Me prende a todo feitiço
De fácies tristes e chorosas
Neste meu mundo de existência

Toda a chuva me molha
Deixa lânguidos meus cabelos
Minhas mãos enrugadas
Minha pele encolhida
Com sombras desenhadas em mim

Deitada sobre toda a minha pessoa
Fico eu
Só!
Chuva vem, continua
Que ainda não sei o que é a cor!

Parada

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Só estou eu
Por aqui, por onde meus sentidos se cruzam
Por onde todo o turbilhão de angústia se emancipa
Por onde todos os desejos não são rezados
Os pecados são cometidos com sorriso longínquo
E toda uma história do passado é escrita para se esquecer
Por vezes sem palavras de existir
Outras, com a delinquência de uma certeza irregular e sofrida
Sofres? Mas o que faz teu coração sofrer, minha pobre alma?
– O teu não correspondido amor.